Sustentabilidade na construção civil com tijolo verde.
Tendência em diversos setores, a sustentabilidade também encontra espaço na construção civil. Para agradar o mercado, é cada vez maior o número de empresas que aderem princípios sustentáveis desde a concepção do projeto até a oferta ao cliente. Para o mestre em Sistemas de Gestão e coordenador do MBA em Construção Civil da FGV, Pedro Seixas, "a legislação ambiental e a sustentabilidade têm um impacto cada vez maior no empreendimento imobiliário, desde a compra de um terreno até as questões ambientais que vão influenciar no produto".
Prova disso, as certificações do Green Building Council são bastante cobiçadas por grandes empresas na hora de escolher sua localização física. Muitas vezes, estas edificações são capazes de reciclar seu próprio lixo, possuem sistema de captação de água da chuva e são projetados para aproveitar ao máximo a luz solar.
Outro ponto interessante é a utilização de materiais mais "verdes" na construção. De olho nesta tendência, o mestre em Engenharia Civil, Ricardo Ribeiro, e professor doutor Vsevolod Mymrine criaram a Risetech - Soluções Ambientais. Incubada no Centro de Inovações Empresariais do ISAE/FGV, a empresa é pioneira na produção de um novo conceito de tijolo, que vem para concorrer com o bloco de concreto, tijolo tradicional e tijolo solo cimento, comumente utilizados na fundamentação de construções.
Tecnologia brasileira, o Tijolo Ecológico Risetech tem como matéria prima os resíduos da construção civil e areia. Além disso, seu diferencial é a capacidade de seqüestrar CO2 da atmosfera durante seu processo de fabricação. Segundo o consultor de gestão da empresa, Almir Neves, o foco é oferecer os tijolos para lojas de materiais de construção. "A empresa ainda está em fase de estruturação, mas nossa meta é começar com 1% da produção da Região Metropolitana de Curitiba, em média 326,59 milheiros". A Risetech está em fase de estruturação e no momento busca investidores. "Temos e tecnologia necessária e o plano de negócios montado, agora é ir atrás de capital".
Fonte: Idéias Green
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
INTERVENÇÃO URBANA
O que é Intervenção Urbana?
Todo movimento artístico relacionado à intervenções visuais em espaços públicosé chamado "intervenção urbana". É através da arte nas ruas que esse movimento, que tem características underground, tenta transformar o espaço comunitário e as paisagens do dia a dia.
Cores e formas ganham vida e mais, modificam vidas. A proposta é um exercício para o olhar viciado das grandes cidades, onde certas paisagens acabam passando desapercebidas, seja pela nossa rotina cada vez mais apressada, seja pelo nosso foco cada vez mais restrito. Para mudar esse olhar, artistas e anônimos se empenham em suas obras pelos muros da cidade: novos focos são criados e revela-se a beleza da cidade em lugares que fazem parte do cotidiano, mas que antes sequer eram notados.
Uma das formas de intervenção urbana mais conhecidas é o grafite. O movimento que sofreu com a discriminação nos anos 70 e teve como base a cultura hip hop, hoje se espalha pela cidade e redefine seu próprio estilo. Psicodelia, estilo tridimensional e personagens caricatos são elementos constantes nas obras dos grafiteiros.
No Brasil, alguns nomes merecem destaque: os gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo adotaram o apelido OsGemeos - [entrevista aqui ] e se tornaram uma das influências mais importantes na cena paulistana, ajudando a definir um estilo brasileiro de grafite. Hoje, suas obras estão em diferentes cidades dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Grécia, Cuba, entre outros países.
Confira abaixo o trabalho dos OsGemeos:
Fonte: Blog: Arquitetura de Interiores
Todo movimento artístico relacionado à intervenções visuais em espaços públicos
Cores e formas ganham vida e mais, modificam vidas. A proposta é um exercício para o olhar viciado das grandes cidades, onde certas paisagens acabam passando desapercebidas, seja pela nossa rotina cada vez mais apressada, seja pelo nosso foco cada vez mais restrito. Para mudar esse olhar, artistas e anônimos se empenham em suas obras pelos muros da cidade: novos focos são criados e revela-se a beleza da cidade em lugares que fazem parte do cotidiano, mas que antes sequer eram notados.
Aqui, intervenções por outro grupo chamado FleshBeck Crew:
Fonte: Blog: Arquitetura de Interiores
terça-feira, 9 de novembro de 2010
SUSTENTABILIDADE
O projeto propõe a criação de um espaço públicoque se distribui verticalmente dentro da torre, enquanto a fachada apresenta um vazio tridimensional em zigue-zague, criando uma série de vistas diferentes para as áreas livres. Graças a essa solução, o pé-direito do átrio terá mais de200 metros de altura
Ao longo desse espaço público, criam-se espaços de convivência que privilegiam a entrada de luz natural e a ventilação cruzada. Além disso, asaberturas do zige-zague são pensadas conforme o contexto urbano além da fachada, para privilegiar as vistas das praças e avenidas do entorno.
Nas áreas privadas da torre funcionará o escritório da corretora de títulos Guosen, sendo que os últimos andares serão reservados para a diretoriae para um clube esportivo. Na cobertura-verde, haverá um terraço com vista panorâmica da cidade, que é vizinha a Hong Kong.
Conheça o trabalho de Massimiliano e Doriana Fuksas: www.fuksas.it
Conheça o trabalho de Massimiliano e Doriana Fuksas: www.fuksas.it
Fonte: ARCOweb
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Le Corbusier em Madeira.
Loja italiana relança quatro móveis com assinatura de Le Corbusier: um banco, uma mesa, uma escrivaninha e um cabide.
Desenhos, croquis e protótipos: uma pesquisa cuidadosa, em colaboração com a Le Corbusier Foundation, trouxe às lojas da Cassina quatro móveis com desenho de Le Corbusier da década de 1950, todos em madeira: Tabouret, Table de Conférence, Table de Travail avec Rayonnages e Portemanteau - um banco/mesa lateral, duas mesas (de trabalho e de jantar) e um cabide.
Os móveis foram projetados originalmente para compor algumas das obras de renome do arquiteto, como a Maison du Brésil em Paris, a Unité de Habitation em Nantes-Rezé, a Unité de Camping e sua Cabana em Roquebrune-Cap-Martin - a Cassina, aliás, apresentou uma reconstrução da Cabana de Le Corbusier na Triennale di Milano de 2006. A empresa já comercializa móveis de Le Corbusier desde 1964 e detém a licença mundial exclusiva para a produção dos móveis.
Tabouret Cabanon, Roquebrune-Cap-Martin 1952
Um banco ou uma mesa de centro. A Tambouret foi desenhada para a Cabana de Le Corbusier. Os buracos oblíquos em cada um dos lados torna a peça de fácil manuseio. Medidas: 43cm x 27cm x 43cm. A mesma peça, mas em tamanho menor, foi criada para a Maison du Brésil (1959), a residência universitária em Paris. Medidas: 33cm x 25cm x h.43cm
Um banco ou uma mesa de centro. A Tambouret foi desenhada para a Cabana de Le Corbusier. Os buracos oblíquos em cada um dos lados torna a peça de fácil manuseio. Medidas: 43cm x 27cm x 43cm. A mesma peça, mas em tamanho menor, foi criada para a Maison du Brésil (1959), a residência universitária em Paris. Medidas: 33cm x 25cm x h.43cm
Le Corbusier pensou em uma mesa que servisse tanto para a casa quanto para conferências - com uma estrutura ao mesmo tempo orgânica e racional. A chave do projeto é utilizar duas figuras geométricas postas uma contra a outra. A tampa é feita de madeira e os pés, de aço, que podem ser laqueados em verde, cinza ou preto. Medidas: Ø185 cm x h.71cm
Table de Travail avec Rayonnages, Unité d''Habitation, Nantes-Rezé 1957
Há muitas versões dessa pequena escrivaninha - e a Cassina fez uma reinterpretação do modelo criado para os quartos das crianças na Unités d''Habitation. Medidas: 140cm/53cm x 70cm+27cm x h.72cm
Há muitas versões dessa pequena escrivaninha - e a Cassina fez uma reinterpretação do modelo criado para os quartos das crianças na Unités d''Habitation. Medidas: 140cm/53cm x 70cm+27cm x h.72cm
Portemanteau, Unité de Camping, Roquebrune-Cap-Martin 1957
Le Corbusier desenvolveu este cabide pela primeira vez para sua Cabana. Mas o modelo reinterpretado pela Cassina é uma reedição do modelo desenhado para as Unités de Camping. Medidas: 66.5 cm x 60 cm x d.7 cm/11.5cm
Le Corbusier desenvolveu este cabide pela primeira vez para sua Cabana. Mas o modelo reinterpretado pela Cassina é uma reedição do modelo desenhado para as Unités de Camping. Medidas: 66.5 cm x 60 cm x d.7 cm/11.5cm
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Eleições 2010 - Não Vale a pena ver de novo.
Ano de eleição no Brasil é como ver novela no Vale a pena ver de novo, você já sabe todo o roteiro e o desfecho final da trama. Não venho aqui trazer alguma novidade, talvez lembrar você de alguns questionamentos. Uma coisa é certa: "Cada povo tem o governo que merece", outra coisa é fato: "Brasileiro não sabe votar".
O brasileiro a cada dia que passa, me surpreende mais, de uma forma negativa. Os escândalos de corrupção no poder deixaram de ser novidade há muitas décadas, políticos vem e vão, para lá e para cá, pulando de partido em partido. E o que é necessário para ser político? Apenas ser alfabetizado? Bem, essa é uma questão muito complexa a ser debatida.
Em julho do ano passado eu decidi criar minha conta no twitter, inicialmente eu não sabia o que escrever naquele mini-blog mas logo percebi que poderia fazer um networking através dele. Claro que tem dias que sua timeline fica desagradável, em final de campeonato de futebol por exemplo só se fala de futebol, e com as eleições 2010 não poderia ser diferente. Política, políticos, corrupção e etc, é o que ainda está rolando na minha timeline, não sou contra a se discutir esses assuntos, não concordo é com a forma que se pratica isso.
Oras, você chega em casa ou no trabalho, liga seu notebook, se informa pela internet e taca o "pau" nos políticos brasileiros. Muito cômodo você não acha? Sim, eu acho. Me diga, quanto vale para você (cidadão) escancarar sua opinião política em um Blog? Soltar farpas e alfinetadas para políticos de sua cidade? Vale sua vida? Pense bem.
Em uma guerra, é preciso escolher as armas certas, mais importante é lutar com inteligência. Se você, como eu, está insatisfeito com a atual situação política do seu país e espera mudanças, não espere, faça. Vejamos! O que é preciso para que um político corrupto vença? A sua ignorância. Você tem a constituição em casa? Se sim, muito bem. Mas, quantas vezes você a leu? .... (..) .. Pois é.
A educação é sua única arma para trazer a tão sonhada mudança. Armem seus filhos dela, eles farão o Brasil de amanhã, vá a câmara e acompanhe o que seu Deputado anda fazendo pela sua cidade. Acompanhe a trajetória do seu presidente, pesquise, leia, aprenda seus direitos, se eduque. Se para você isso tudo parece ser trabalhoso e sem motivo, então meus ouvidos estão selados para as suas reclamações sobre política.
Se o Brasil ainda tem muito o que evoluir, então os brasileiros precisam evoluir ainda mais. O mínimo que peço é que não encha o seu twitter com política de forma aleatória, passe adiante aquilo que você acredita ser relevante, não arrisque a sua vida e a de sua família apontando com o dedo indicador a cara dos corruptos, combata-os nas urnas. Se dê o hábito de discutir política com amigos, mas se mine de fatos e argumentos, não seja alienado. E assim, você pode começar a construir uma cena política diferente.
Liana Lunardelli
O brasileiro a cada dia que passa, me surpreende mais, de uma forma negativa. Os escândalos de corrupção no poder deixaram de ser novidade há muitas décadas, políticos vem e vão, para lá e para cá, pulando de partido em partido. E o que é necessário para ser político? Apenas ser alfabetizado? Bem, essa é uma questão muito complexa a ser debatida.
Em julho do ano passado eu decidi criar minha conta no twitter, inicialmente eu não sabia o que escrever naquele mini-blog mas logo percebi que poderia fazer um networking através dele. Claro que tem dias que sua timeline fica desagradável, em final de campeonato de futebol por exemplo só se fala de futebol, e com as eleições 2010 não poderia ser diferente. Política, políticos, corrupção e etc, é o que ainda está rolando na minha timeline, não sou contra a se discutir esses assuntos, não concordo é com a forma que se pratica isso.
Oras, você chega em casa ou no trabalho, liga seu notebook, se informa pela internet e taca o "pau" nos políticos brasileiros. Muito cômodo você não acha? Sim, eu acho. Me diga, quanto vale para você (cidadão) escancarar sua opinião política em um Blog? Soltar farpas e alfinetadas para políticos de sua cidade? Vale sua vida? Pense bem.
Em uma guerra, é preciso escolher as armas certas, mais importante é lutar com inteligência. Se você, como eu, está insatisfeito com a atual situação política do seu país e espera mudanças, não espere, faça. Vejamos! O que é preciso para que um político corrupto vença? A sua ignorância. Você tem a constituição em casa? Se sim, muito bem. Mas, quantas vezes você a leu? .... (..) .. Pois é.
A educação é sua única arma para trazer a tão sonhada mudança. Armem seus filhos dela, eles farão o Brasil de amanhã, vá a câmara e acompanhe o que seu Deputado anda fazendo pela sua cidade. Acompanhe a trajetória do seu presidente, pesquise, leia, aprenda seus direitos, se eduque. Se para você isso tudo parece ser trabalhoso e sem motivo, então meus ouvidos estão selados para as suas reclamações sobre política.
Se o Brasil ainda tem muito o que evoluir, então os brasileiros precisam evoluir ainda mais. O mínimo que peço é que não encha o seu twitter com política de forma aleatória, passe adiante aquilo que você acredita ser relevante, não arrisque a sua vida e a de sua família apontando com o dedo indicador a cara dos corruptos, combata-os nas urnas. Se dê o hábito de discutir política com amigos, mas se mine de fatos e argumentos, não seja alienado. E assim, você pode começar a construir uma cena política diferente.
Liana Lunardelli
domingo, 10 de outubro de 2010
O BRASIL NOITE
Acordo cedo e durmo tarde, a madrugada não é meu lugar, preciso de luz natural, não fotografo bem com flashes, não quero que me revelem, me escondo na claridade, onde todos se parecem.
Diurna, mas nem tão entusiasmada que goste do som de Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Daniela Mercury. É onde minha brasileirice destoa, não sou de pular e jogar os braços pra cima, entrar no clima de qualquer festa, subir em trem elétrico. Até gosto de verde, mas amarelo, detesto.
Fico meio avexada quando leio sobre a nova Daslu, sobre os novos namorados de celebridades geradas do nada, entediada com fotos de debutantes, geração xerox, todas exatamente iguais, nem os pais as reconhecem, onde você aparece, minha filha? Ninguém aparece, todos se repetem.
O Brasil colorido, suado, tropical, cartão-postal é o país onde nasci, mas me desenvolvi no avesso, numa clareira interna, invisível para quem está de fora. Da porta pra dentro ouço solos de guitarra e não preciso me vestir tão bem. De dia, meu país de fato brilha, mas onde eu me reconheço é no silêncio, na rua estreita, no aconchego da minha intimidade, onde dou de comer aos meus sentimentos. Difícil ser brasileira sem fazer barulho, sem ter pernas para mostrar, sendo agridoce e não salgada do mar.
Mas sou brasileira, e esta crônica nada mais é do que um reconhecimento de nacionalidade após ouvir o mais recente disco do Lobão, Canções dentro da noite escura, em britânicas, porém brazucas, saídas de uma página arrancada da nossa história, a parte em que somos sortudos, carentes, suicidas, apaixonados, inquietos, dramáticos - não melodramáticos.
A alegria é uma conquista, é até mais importante do que a felicidade, mas alegria não é grito, não é aeróbica, não é refrão, não é pegadinha, não é pegação. Alegria é amar. E enfrentar a dor sem perder a poesia. Alegria é caminhar, não correr. Dar umas paradas a fim de ganhar tempo. Viver sem culpa. Ter um pouco de noite no seu dia. E muito dia no seu sono.
O disco será considerado bom por alguns, e ruim por outros. É assim com todos os discos, livros, filmes: eles capturam o freguês ou o deixam escapar. Fui de certa forma capturada, ganhei um greencard pra continuar no meu país sem precisar aderir ao ziriguidum e às festas no apê, um green-yellow card que me fez lembrar que há vida intensa na sombra também.
Martha Medeiros
Decidi colocar esta crônica aqui porque li e acabei me identificando em alguns pontos. Ando com a cabeça cheia de informação, isso não ajuda na hora de escrever. Preciso comprar um processador melhor para minha cabeça. Espero que gostem. Grande Beijo.
Lia.
Diurna, mas nem tão entusiasmada que goste do som de Elba Ramalho, Ivete Sangalo, Daniela Mercury. É onde minha brasileirice destoa, não sou de pular e jogar os braços pra cima, entrar no clima de qualquer festa, subir em trem elétrico. Até gosto de verde, mas amarelo, detesto.
Fico meio avexada quando leio sobre a nova Daslu, sobre os novos namorados de celebridades geradas do nada, entediada com fotos de debutantes, geração xerox, todas exatamente iguais, nem os pais as reconhecem, onde você aparece, minha filha? Ninguém aparece, todos se repetem.
O Brasil colorido, suado, tropical, cartão-postal é o país onde nasci, mas me desenvolvi no avesso, numa clareira interna, invisível para quem está de fora. Da porta pra dentro ouço solos de guitarra e não preciso me vestir tão bem. De dia, meu país de fato brilha, mas onde eu me reconheço é no silêncio, na rua estreita, no aconchego da minha intimidade, onde dou de comer aos meus sentimentos. Difícil ser brasileira sem fazer barulho, sem ter pernas para mostrar, sendo agridoce e não salgada do mar.
Mas sou brasileira, e esta crônica nada mais é do que um reconhecimento de nacionalidade após ouvir o mais recente disco do Lobão, Canções dentro da noite escura, em britânicas, porém brazucas, saídas de uma página arrancada da nossa história, a parte em que somos sortudos, carentes, suicidas, apaixonados, inquietos, dramáticos - não melodramáticos.
A alegria é uma conquista, é até mais importante do que a felicidade, mas alegria não é grito, não é aeróbica, não é refrão, não é pegadinha, não é pegação. Alegria é amar. E enfrentar a dor sem perder a poesia. Alegria é caminhar, não correr. Dar umas paradas a fim de ganhar tempo. Viver sem culpa. Ter um pouco de noite no seu dia. E muito dia no seu sono.
O disco será considerado bom por alguns, e ruim por outros. É assim com todos os discos, livros, filmes: eles capturam o freguês ou o deixam escapar. Fui de certa forma capturada, ganhei um greencard pra continuar no meu país sem precisar aderir ao ziriguidum e às festas no apê, um green-yellow card que me fez lembrar que há vida intensa na sombra também.
Martha Medeiros
Decidi colocar esta crônica aqui porque li e acabei me identificando em alguns pontos. Ando com a cabeça cheia de informação, isso não ajuda na hora de escrever. Preciso comprar um processador melhor para minha cabeça. Espero que gostem. Grande Beijo.
Lia.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
AS AMBULÂNCIAS
Era uma moça simples, ainda entusiasmada com tudo o que via, e chegou de viagem como quem havia chegado da lua, fazia tempo que eu não testemunhava tamanha euforia. Então, gostou de Nova York? Muito moderno, ela disse, muito moderno. Logo imaginei aquela menina encantada com as calçadas largas, com os prédios longos, com tudo o que havia por lá de vidro e concreto, e talvez o barulho. O barulho, ela confirmou, o barulho. Ruídos dos automóveis? Não, ela respondeu. Das ambulâncias! O olhar puro brilho era de quem tinha dito carruagens, mas ela havia dito ambulâncias. Em qualquer ponto da cidade, de onde quer que se esteja, impossível deixar de escutar, ha sempre uma sirene gritando, misturando-se ao som ambiente. Uma sirene, duas sirenes, são tantas, vindas de tão longe, aproximando-se, sendo escutadas sem serem vistas, muito moderno, muito.
Onde a moça vive não tem avenida, é cidade do interior, menor. Lá, ensurdecedor é o canto dos pássaros, o ruído dos cascos no paralelepípedo, algum rádio ligado na casa da vizinha. O posto de saúde é logo ali na esquina, todo mundo entra e sai sem alarde, os doentes chegam a pé, parece até que as doenças graves sabem que não devem acontecer naquele canto do mundo, porque com gravidade a cidade não lida, é pouco médico, pouco remédio, e quando o troço é sério de nada adiantam os chás e as rezas.
Então as sirenes, pra ela, passaram por música, sinônimo de urbanidade, lá vai um cardíaco para uma mesa de operação, lá vai um garoto que bebeu na direção, lá vai uma fratura exposta, uma facada nas costas, uma falta de ar ou um motorista de folga a se exibir para a namorada: olha só como eu abro passagem. Lá vão elas, as ambulâncias, com suas luzes piscantes e seus nomes escritos de trás pra frente, recolher corpos caídos do décimo sétimo andar, oferecer oxigênio para quem enfrentou um escapamento de gás, prestar primeiros socorros pra quem não teve a quem chamar. Voam na contramão, estacionam em qualquer lugar, atravessam os portões abertos dos hospitais, preenchendo as ruas com suas sirenes ligadas, avisando que se está em busca de gente pra ajudar, porque só na cidade grande há tanto motivo pra se estressar, pra enfartar, pra brigar, pra estourar, pra chegar assim tão rente ao inferno.
Muito moderno, muito.
Martha Medeiros - Coisas da vida
Onde a moça vive não tem avenida, é cidade do interior, menor. Lá, ensurdecedor é o canto dos pássaros, o ruído dos cascos no paralelepípedo, algum rádio ligado na casa da vizinha. O posto de saúde é logo ali na esquina, todo mundo entra e sai sem alarde, os doentes chegam a pé, parece até que as doenças graves sabem que não devem acontecer naquele canto do mundo, porque com gravidade a cidade não lida, é pouco médico, pouco remédio, e quando o troço é sério de nada adiantam os chás e as rezas.
Então as sirenes, pra ela, passaram por música, sinônimo de urbanidade, lá vai um cardíaco para uma mesa de operação, lá vai um garoto que bebeu na direção, lá vai uma fratura exposta, uma facada nas costas, uma falta de ar ou um motorista de folga a se exibir para a namorada: olha só como eu abro passagem. Lá vão elas, as ambulâncias, com suas luzes piscantes e seus nomes escritos de trás pra frente, recolher corpos caídos do décimo sétimo andar, oferecer oxigênio para quem enfrentou um escapamento de gás, prestar primeiros socorros pra quem não teve a quem chamar. Voam na contramão, estacionam em qualquer lugar, atravessam os portões abertos dos hospitais, preenchendo as ruas com suas sirenes ligadas, avisando que se está em busca de gente pra ajudar, porque só na cidade grande há tanto motivo pra se estressar, pra enfartar, pra brigar, pra estourar, pra chegar assim tão rente ao inferno.
Muito moderno, muito.
Martha Medeiros - Coisas da vida
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